O verdadeiro Contágio!

Em tempo de pandemia é importante perceber que não é só o vírus que se contagia em grande escala. Os nossos estados emocionais interiores também!

É um facto que o contágio emocional acontece, através da empatia, sempre que interagimos. No cérebro existe um grupo de neurónios, denominados “neurónios espelho” que se ativam e colocam em funcionamento os mesmos circuitos cerebrais do que os que estão ativos na pessoa com quem estamos a interagir ou apenas a observar. Assim é possível sentir a emoção como própria mesmo quando não a estamos a vivenciar.

Efetivamente, o contágio emocional, bastante estudado e investigado em diferentes contextos (familiar, social, empresarial, etc), existe e as emoções transmitem-se de pessoa para pessoa, independentemente de quais sejam! No início do aparecimento e alastramento do vírus, as principais emoções/estados de espírito contagiados foram certamente a dúvida e o medo, depois talvez a angústia, ansiedade e depressão.

Desde o “desconfinamento”, contudo, parece ser a alegria e até a euforia que nos estão a contagiar! De repente, e apesar de sabermos que a ameaça do vírus continua a ser real, de alguma forma, ela foi esbatida, se não mesmo, desvalorizada, pelo menos inconscientemente, por alguns de nós.

Compreensivelmente, a vontade de retomar anteriores hábitos (ou parte deles) e de nos sentirmos livres, aliados a temperaturas convidativas a fazer lembrar o Verão e as férias (período de descontração), foi suficientemente forte para “esquecermos” ou adiarmos parte da cautela extra que nos mantinha em alerta permanente. As praias e as esplanadas encheram e os tais 1,5 a 2m de “distanciamento social” reduziram-se bastante e de forma inversamente proporcional ao tempo de convivência.

Existe, então, como que uma dissonância cognitivo/emocional, ou seja, racionalmente as pessoas sabem que o vírus não desapareceu e até que o risco de contágio está a aumentar dado o crescente número de infetados. Contudo e para além do já referido, mas também fruto do desgaste e cansaço psicológico dos últimos meses, somando-lhe algumas mensagens paradoxais dos media, emocionalmente, o clima de maior descontração que atualmente se vive, dá nova conotação (mais “leve”) ao momento. E este contágio (emocional) parece ser ainda mais veloz que a infeção por Covid!

Entre muitas outras coisas, para o bem e para o mal, esta crise mostra-nos que não somos independentes do meio onde estamos, nem uns dos outros e que apenas juntos e com um “adequado estado emocional”, podemos tirar o máximo partido de cada momento presente, mas também salvaguardar o futuro! Até certo ponto, este contágio emocional positivo parece salutar e desejável, pelo menos economicamente… Doseá-lo na medida certa é que vai ser o desafio global! 

Cláudia Soares, Psicóloga e Coach

One Comment on “O verdadeiro Contágio!”

  1. PARABÉNS!
    Gostei muito. Sinto precisamente o mesmo relativamente a mim próprio e pelo que vejo no dia a dia nos outros. Para tudo é preciso bom senso. Não se pode ignorar a realidade e o perigo. Como em tudo na vida é necessário ser equilibrado. A vida é para ser vivida, mas devemos de atender aos factores de risco, pois ignorando-osntrariandessa mesma vida em risco.
    OBRIGADO

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